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ARTIGOS da PsicAnalista M.STREB

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  Ao utilizar este material, SEMPRE cite a Autoria, o Endereço na Web da fonte e todas as Referências Bibliográficas.

 

A  FORMAÇÃO  e  a  SUPERVISÃO  PSICANALÍTICA

MARCIA  ELIZA  STREB |  PsicAnalista

Porto Alegre / RS, 10 de outubro de 2015, XXI.

“ Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

                                                          que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim .”

( Carlos Drummond de Andrade, Poema “ Ausência ” )

Sigmund Schlomo Freud ao escrever “ Análise Terminável e Interminável ”, em 1937, questionava onde o aspirante à Psicanalista adquiriria os conhecimentos ideais para o exercício da Prática Psicanalítica, colocando a Análise Pessoal como essencial condição na formação do Psicanalista.

Também mencionou ele em seus escritos, a necessidade do aspirante à Psicanalista construir sua própria ‘ Identidade Psicanalítica ’, não se atendo apenas à identificação e ao estilo do seu Analista e as exigências e modelos das ordens institucionais.

Para tal intuito, o de torna-se Psicanalista, é necessário que nós, Psicanalistas em Formação, busquemos nosso próprio caminho, identificando-nos na condição de Psicanalistas, no decorrer de nossas análises pessoais para que, diante dos Analisandos, possamos estar em equilíbrio com nosso próprio inconsciente pois, com certeza e em inúmeras ocasiões seremos ‘ tocados ’ pelo vasto material trazido pelos Analisandos, remetendo-nos às nossas próprias análises.

Apesar da Prática Psicanalítica, desde a sua criação por Sigmund Schlomo Freud, variar entre inúmeras doutrinas, o Método Psicanalítico é bem definido e, através deste Método universalmente conhecido, é que nos reconheceremos praticantes da Psicanálise, com os referenciais técnicos / teóricos como : Setting, Associação Livre, Atenção Flutuante, Interpretação, Abstinência, Transferência e Contratransferência.

Talvez surgida nas ‘ Reuniões das quartas-feiras ’ na Ante - Sala do Gabinete de Sigmund Schlomo Freud, onde nestas oportunidades reuniam-se os ‘ pares ’, e de relevante importância na formação do Psicanalista, mesmo sendo, na atualidade, exigência das Instituições de formação como um critério à ser cumprido, a Supervisão Psicanalítica é a oportunidade ímpar na qual nós, Psicanalistas em Formação, seremos auxiliados à perceber, com as nossas experiências iniciais na Prática Psicanalítica, as intervenções ocorrentes no trabalho com os Analisandos e seremos orientados à reconhecer nossos limites, tendo o confronto com a prática de outro Profissional, o Psicanalista Didata.

Em nossas primeiras experiências com Analisandos sentiremo-nos sós, desprovidos de referências, ‘ esquecidos de nós mesmos ’ e serão nestas oportunidades em que a Supervisão Psicanalítica se fará primordial; onde teremos na figura do Psicanalista Didata, alguém que testemunhe a nossa nova função de Psicanalistas, alguém com quem possamos partilhar nossas experiências iniciais e elucidarmos fatores desenvolvidos na escuta dos Analisandos.

E muitos serão os fenômenos transferências e contra-tranferenciais com os quais nos depararemos e que, consequentemente, poderão interferir no andamento do Processo Psicanalítico.

Nestes momentos ficarão claros os objetivos da Supervisão Psicanalítica, onde com a experiência do Psicanalista Didata identificaremos ocorrências de transferências, aprenderemos à renunciar, diante dos Analisandos, os seus próprios desejos e quaisquer categorias de ‘ poder ’ que venham à interferir em nossa isenção com os Analisandos, e ainda independente da Supervisão Psicanalítica, teremos auxílio, através de nossas Análises Pessoais, onde identificaremos e tentaremos evitar que ocorram os efeitos da contratransferência.

O processo da Supervisão Psicanalítica inicia-se no momento em que nós, Psicanalistas em Formação, logo após as sessões com nossos Analisandos, efetuaremos as nossas anotações; neste momento, mais importante do que o que anotaremos, é o que perceberemos como ‘ dificuldades ’, que serão levadas ao conhecimento do Psicanalista Didata, através dos nossos relatos, nas Sessões de Supervisão.

Daremo-nos conta dos aspectos que não conseguimos perceber no transcorrer das sessões com nossos Analisandos e que, no momento da Supervisão Psicanalítica, poderão ser elaborados, repensados à cerca do transcorrido nas sessões e que não percebemos no decorrer delas, fazendo Supervisão já tenha transcorrido.

Distante de ser uma ‘ aula ’ de como fazer uma análise, a finalidade da Supervisão Psicanalítica é a de ofertar-nos oportunidades de exercitarmos e desenvolvermos nossas próprias percepções e elaborações dos materiais trazidos à nós pelos Analisandos.

É também, e principalmente, um momento enriquecedor para nós, Psicanalistas Supervisionados e para o Supervisor Didata visto que a Supervisão Psicanalítica é uma ‘ via de mão dupla ’, onde ambos, e juntos, seremos observadores de experiências clínicas que promoverão o enriquecimento e reconhecimento mútuos.

Ansiosos, solitários e talvez inibidos ante o lugar que ocuparemos diante de nossos Analisandos, nós Psicanalistas em Formação, aprenderemos no decorrer da Prática Psicanalítica, com suas inúmeras variáveis que se combinam e se manifestarão, em experiências que se consolidarão com os efeitos de nossos atos.uma análise das nossas intervenções e razões conscientes e inconscientes que as motivaram, levando-nos ao nosso próprio auto-conhecimento.

Ou seja, no momento do encontro com o Supervisor Didata nós, Psicanalistas Supervisionados, não perceberemos, mas grande parte do Processo de Supervisão já tenha transcorrido.

Distante de ser uma ‘ aula ’ de como fazer uma análise, a finalidade da Supervisão Psicanalítica é a de ofertar-nos oportunidades de exercitarmos e desenvolvermos nossas próprias percepções e elaborações dos materiais trazidos à nós pelos Analisandos.

É também, e principalmente, um momento enriquecedor para nós, Psicanalistas Supervisionados e para o Supervisor Didata visto que a Supervisão Psicanalítica é uma ‘ via de mão dupla ’, onde ambos, e juntos, seremos observadores de experiências clínicas que promoverão o enriquecimento e reconhecimento mútuos.

Ansiosos, solitários e talvez inibidos ante o lugar que ocuparemos diante de nossos Analisandos, nós Psicanalistas em Formação, aprenderemos no decorrer da Prática Psicanalítica, com suas inúmeras variáveis que se combinam e se manifestarão, em experiências que se consolidarão com os efeitos de nossos atos.

“ É mais valente quem vence seus desejos do que quem vence seus inimigos;

pois a vitória mais difícil é sobre si mesmo.”

Aristóteles

Referências Bibliográficas

  • Sanhudo, Castilho Silveira . Apostila “ Seminário de Supervisão Psicanalítica I
  • Freud, Sigmund Schlomo . “ Uma Dificuldade no Caminho da Psicanálise ”. 1917; Obras Completas Volume XVI . Editora Imago, 1996.
  • Freud, Sigmund Schlomo . “ Análise Terminável e Interminável ” . 1937 . Obras Completas . Volume XXIII . Editora Imago . 1996.
  • Bion, Wilfred Ruprecht . “ Cogitações ”. Editora Imago . 2000.
  • Zimerman, David E. . “ Fundamentos Psicanalíticos : Teoria, Técnica e Clínica ”, Editora Artmed . SP . 1999.
  • Andrade, Carlos Drummond de . “ Corpo – Poema Ausência ” . Editora Companhia das Letras . 1984.

PRIMEIRA  EXPERIÊNCIA  COM  A  ANAMNESE

MARCIA  ELIZA  STREB |  PsicAnalista

Porto Alegre / RS, 07 de Setembro de 2015, XXI.

“ Não existiria SOM

se não houvesse o SILÊNCIO Não haveria LUZ

se não fosse a ESCURIDÃO A Vida é mesmo assim,

DIA e NOITE, NÃO e SIM CADA VOZ que canta o amor

NÃO DIZ TUDO O QUE QUER DIZER TUDO O QUE CALA FALA MAIS ALTO ao coração ... ... Nós somos MEDO e DESEJO

Somos feitos de SILÊNCIO e SOM

tem CERTAS COISAS que eu NÃO SEI DIZER ... ”

( Milton Nascimento, ‘ Certas Coisas ’ , Composição de Lulú Santos e Nelson Motta, 1984. ) 

Muito além de ser um dos primeiros contatos com aquele Ser Humano que procura ajuda e tratamento com o Profissional da Psicanálise; momento em que o pretenso Paciente, de antemão, busca e constrói, prematuramente, uma imagem do Psicanalista como alguém que será capaz de resolver todas as suas demandas, os seus traumas e os seus transtornos e, acima de tudo e principalmente, um Ser Humano que o ouça, a Anamnese, também longe de ser pura e simplesmente uma coleta de dados e/ou o preenchimento de uma ficha com os dados do pretendente à Análise Psicanalítica, é o momento em que se inicia uma Avaliação Psicanalítica por parte do Psicanalista, visando considerar se esta nova Relação Psicanalítica tem condições de evoluir, de ser importante e benéfica para o Paciente e, por outra via, se o Psicanalista terá condições de tratá-lo.  

Nesta ocasião a maneira de entrevistar / abordar o Paciente é muito importante.

O momento da Anamnese, deve ser solene e descontraído, pois de um lado estará o Profissional da Psicanálise – no papel de Entrevistador – sendo encarado, no outro lado pelo pretenso Paciente – no papel de Entrevistado – como o “ Dono do Saber ”, como uma “ Autoridade Acadêmica ” para quem ele – o Entrevistado – concorda em expor, em desnudar sua história diante de uma pessoa desconhecida, o que na grande maioria das vezes, desencadeia sentimentos e emoções fortes, as quais devem ser tratadas com a devida atenção e cuidado por parte do Entrevistador – Psicanalista.

Neste momento, em que o papel do Profissional da Psicanálise é a busca de informações e dados do Paciente, é imprescindível a cautela, pelo simples fato de já estar tratando de percepções individuais e confidenciais.

Também é   neste   mesmo momento em que cria-se ( ou não ! ) uma Relação Analítica, onde duas pessoas estranhas tornar-se-ão cúmplices em um projeto comum, no alcance de uma meta saudável e satisfatória para ambos lados desta nova relação.

Tendo o Profissional da Psicanálise reunido suficientes informações iniciais e dados necessários para a sua avaliação individual, ou seja, para avaliar as suas próprias condições em atender o Paciente, em sendo a conclusão positiva, se faz necessário iniciar um processo onde o Paciente sinta que esta Relação Analítica trar-lhe-á segurança e confiabilidade.

A partir do contrato da Relação Analítica é fundamental que o Profissional da Psicanálise saiba fazer o Paciente falar, saiba escutar o que é lhe é confessado, o que lhe é dito e até o que não lhe é dito e assim, “ ver ” a história ser recontada, revivida pelo Paciente, tornando todo este material em subsídios para a formação das suas hipóteses para o bom Tratamento Psicanalítico.

Aqui, saliento que ‘ Ouvir ’ é um sentido fisiológico e basta que o Ser Humano tenha uma certa integridade biológica, associada a um bom desempenho neurofisiológico de funções.

Já ‘ Escutar ’ é outra coisa !

Escutar, é um ato psicológico, é uma disposição interna em acolher signos, às vezes claros, outras vezes obscuros e, acima de tudo, é a busca pelo alcance de registros que viabilizem hipóteses, admitindo espaço para o subjetivo.

Pelo lado o Paciente, já na Anamnese lhe ocorre a reformulação de sua identidade, se apercebendo, já iniciando questionamentos dos elementos de sua Vida individual e social, já passando à sentir-se ‘ Sujeito ’ e percebendo suas responsabilidades.

Tendo exposto, acima, a ‘ teoria ’ sobre a Anamnese posso, com plena convicção e com base em minha primeira experiência, na tarde de um sábado de maio do corrente ano, com meus Colegas de Formação em Psicanálise, expor que, na Prática Psicanalítica, é preciso bem mais do que um que o questionamento dos dados e informações do pretenso Paciente.

É preciso muito mais do que uma única sessão de Anamnese.

É preciso bem mais do que uma Entrevista Inicial com o candidato à Paciente.

É preciso, sim, estar consciente da grande responsabilidade que é assumir um Ser Humano com dificuldades, incertezas e sofrimentos para um Tratamento Psicanalítico.        

Referências Bibliográficas

  • Sanhudo, Castilho Silveira .   Apostila “ Fundamentos da Técnica Psicanalítica I
  • Zimerman, David E.  .  “ Fundamentos Psicanalíticos : Teoria, Técnica e Clínica ”, 1999.
  • Lisboa, Anavera Heninger . “ Um Início de História ” , 1986.
  • Santos  e  Mota, Lulú e Nelson . “ Certas Coisas ” , 1984.

TUDO  e  NADA

MARCIA  ELIZA  STREB |  PsicAnalista

Porto Alegre / RS, 06 de Abril de 2015, XXI.

“ Não são os Filhos que nos devem.

São os Pais que devem à eles.

Estatuto do passado.

Resquício do pater famílias do direito romano

– O Pai tem todos os direitos e os Filhos todos os deveres.

Assim era, assim foi.

Hoje, sem precisar de leis, nem decretos, nem códigos,

pela força  da evolução humana, através dos séculos,

vencendo resistências, ab rogando artigos e parágrafos,

se fez o inverso.

O Pai tem todos os deveres

E os Filhos todos os direitos.

Princípio de justiça incontestado pelos próprios pais e Juízes destes tempos novos. ”

( Cora Coralina, Poesia “ Pai e Filho ”, pág. 127, 1984 )

O desenvolvimento da personalidade do Ser envolve inúmeros conflitos entre o indivíduo que quer satisfazer seus impulsos instintivos e o mundo social que restringe estes desejos.

Assim, para o desenvolvimento de sua personalidade, o Ser cria inúmeras estratégias para conseguir obter a maior satisfação possível, apesar das restrições sociais.

Neste desenvolvimento de personalidade ocorrem vários conflitos entre Pais e Filhos.

Os Pais, com medo de ocasionarem traumas irreversíveis em seus Filhos, na atualidade, criam / educam as suas proles com o pensamento fixo de que devem dar tudo à eles, os Filhos e, consequentemente, por sua vez, os Filhos acreditam naquilo que os Pais lhes transmitem : No “ direito ” de TUDO receber e NADA dar em troca.

Optando em errar se omitindo, nada mais, nada menos pelo cruel e incontrolável medo de perder o afeto dos Filhos, os Pais acovardaram-se e perderam a confiança no padrão de educação que lhes foi transferido, em suas próprias infâncias.

A partir dos anos 40 e 50, do século XX, com a mudança do modelo de Família Hierárquica pelo modelo de Família Igualitária, iniciou-se uma preocupação com a saúde emocional dos Filhos, preocupação esta que deveria resultar no  bem estar e nas realizações humanas destes Filhos.

Haveriam, então, os Pais que propiciarem, na educação de seus Filhos, um equilíbrio entre inúmeros fatores : Vontades versus Frustações, Conflitos versus Harmonia Emocional, Equilíbrio versus Desequilíbrio Emocional, Traumas versus Disponibilidades, Sentimentos Positivos versus Sentimentos Negativos, Contenção Emocional versus Abertura Emocional e tantos outros “ conflitos ” psíquicos.

Tudo isto, acima exposto, visando, única e exclusivamente, um ideal em que os Filhos jamais deixassem de manifestar as suas diversas emoções, conforme as inúmeras situações apresentadas à eles, mantendo um nível comportamental adequado, visto que é na infância em que há o início das dificuldades e dos problemas de sua fase adulta.

Mas há um ‘ porém ’ nesta nova conduta paternal :

Dentro de um contexto consumista, onde o ideal de felicidade consiste, primordialmente, na completa e irrestrita satisfação de todos e quaisquer desejos, e na total ausência de carências de quaisquer espécies, a habilidade dos Pais, em grande parte do tempo sem a convivência com as atividades de seus Filhos, sem equilibrar os tantos desejos e vontades deles, estimulando-os e, ao mesmo tempo, mantendo-os suspensos, de proporcionar-lhes a felicidade não ilusória do ‘ ter ’, fazendo-os compreender que a total falta de quaisquer sofrimentos é uma total utopia, definitivamente, ‘ caiu por terra ’.

E assim sendo, quando nós, Terapeutas, expomos que é preciso satisfazer as necessidades dos Filhos para que estes se bem desenvolvam emocional e socialmente,  os  Pais,  em geral, fazem uma  leitura  errônea  desta  exposição,  traduzindo ‘ necessidades ’ como ‘ vontades ’.

Concluo afirmando que o equilíbrio é fundamental na boa e salutar educação dos Filhos, pois o ter TUDO resulta, psicologicamente, em NADA ter.

      Referências Bibliográficas 

  • Stumpf, Rita Geovane Rosa . Apostila “ Psicanálise e a Educação do Ser ”.
  • Sanhudo, Castilhos . Apostila “ Psicanálise e a Educação do Ser ”.
  • Zimerman, David E. . “ Fundamentos Psicanalíticos ” .
  • Coralina, Cora . “ Vintém de cobre : Meias confissões de Aninha ”.
  • Adorno, T. e Horkheimer, M. . “ A Indústria Cultural : O esclarecimento como mistificação das massas
  • Albanesze, C. .  “ Como lidar com as vontades da criança ” .
  • Azzi, R. .  “ Família e valores no pensamento brasileiro ”.
  • Costa, J.F. . “ Violência e Psicanálise : Saúde mental, produto da educação ? ”.
  • Figueira, S.A. . “ Uma nova Família ? O moderno e o arcaico na família de Classe Média Brasileira ”.
  • Gikovate, F. .  “ A educação dos Filhos nos tempos atuais ”. 
  • Nicolaci-da Costa, A. M. . “ O processo de modernização da sociedade e seus efeitos sobre a família contemporânea ”.
  • Romanelli, G. . “ Famílias e Camadas Médias : A Trajetória da Modernidade ”.
  • Zagury, T. . “ Sem padecer no paraíso : Em defesa dos Pais ou sobre a Tirania dos Filhos ”.   

    AMOR

    MARCIA  ELIZA  STREB |  PsicAnalista

    Porto Alegre / RS, 05 de Abril de 2015, XXI.

    “ ... um mal que mata, e não se vê,

    um não sei quê, que nasce não sei de onde,

    um não sei como, que dói não sei por quê. ”

    ( Luís Vaz de Camões , “ Os Lusíadas ” )

    Através da leitura de Luís Vaz de Camões, poeta português do século XVII, da fase final do período Renascentista, final da Idade Média e início da Idade Moderna, cuja transição foi marcada do Feudalismo para o Capitalismo, em sua criação lírica de dez contos – Os Lusíadas – concluo ser o Amor preso ao dualismo.

    O Amor, que ao mesmo tempo ilumina a mente, cria poesia, enobrece o espírito, aproxima-se do divino, da beleza, da eternidade, da pureza, da maravilha, por outro lado, o Amor tortura, escraviza pela simples impossibilidade de ignorar o desejo de posse.

    Falando em “ Posses ”, estas são diminuídas pela própria posse. O nosso prazer procura, sempre, transformar algo novo em nós mesmos. E a isto podemos chamar de ‘ possuir ’.

    Comumente enfadamo-nos de uma posse.

    Na verdade, estamos enfadando-nos de nós mesmos, pois o desejo de jogar fora, de distribuir, assume, nestas ocasiões, o nome de ‘ Amor ’.

    Também o sofrimento alheio é uma oportunidade de tomarmos posse de ‘ alguém ’.

    Já o amor sexual, nada mais é do que a ânsia de propriedade = posse, incondicional e único do objeto de desejo.

    Historicamente, analisando a passagem do tempo da Humanidade, posso afirmar que o Amor, representado por Eros, Deus do Amor, aquele que tudo une e combate a pulsão de morte, filho de Afrodite, apaixonado por Psiquê que, traduzida na alma humana, não pode amar sem sofrer e sem fazer sofrer seus enamorados -  É indefinível !

    E em assim sendo, possuidora de uma indefinição, consigo, tranquilamente, vagar por inúmeras ‘ definições ’ como : Amizade, Amor fraternal, Amor parental, Amor romântico, Amor cortês, Amor sexual, paixão, desejo, prazer, Amor de transferência, e mais inúmeros termos comumente utilizados como ‘ definição ’ de Amor.

    Segundo Sigmund Schlomo Freud, natural de Freiberg - Império Austríaco, médico vienense, especializado em neuropsiquiatria, intitulado através dos tempos e por seu incansável trabalho como ‘ O Pai da Psicanálise ’, nos diz que “ Amar é desejar ” .

    Mas e o que é o desejo ?

    Jean Paul Sartre, filósofo, escritor e crítico francês, representante  do Existencialismo,  em  uma  referência  platônica,  nos  diz ser o desejo o “ suicídio do prazer ”.

    Ilustro esta definição de “ suicídio do prazer ” da seguinte forma : Se vivermos muito próximos de uma pessoa, a ‘ alma ’ desta pessoa, estando continuamente sendo ‘ tocada ’, acaba por se desgastar, morrendo então, o desejo.

    Aqui, preciso salientar que prazer e desejo são coisas muito diferentes, pois se excluem :  O desejo pressupõe a falta e o prazer implica em presença, em encontro mútuo, em uma relação, em atritos.

    Em outra visão, triste e melancólica, Arthur Schopenhauer, filósofo alemão no século XIX, introdutor do budismo e do pensamento indiano na metafísica alemã, concluiu em seus pensamentos e escritos que “ o prazer consiste apenas e tão somente na supressão momentânea da dor, sendo ela, a dor, a única e verdadeira realidade ”.

    Ao que posso concluir que :  Sem dor não há Amor.

    E, ainda que : O Amor possui mais medo da mudança do que do aniquilamento.

    Em nossos trabalhos psicanalíticos, precisamos considerar, com extrema relevância, o Amor de Transferência.

    A Transferência atravessa aquilo que nos sustenta enquanto Analistas : O laço social.

    Jacques – Marie Émile Lacan, médico ( e como Sigmund Schlomo Freud, neurologista ), psicanalista francês e importante figura do Estruturalismo nos diz que “ no começo da Psicanálise está a transferência ”.

    Já o nosso ‘ Pai da Psicanálise ’ - Sigmund Schlomo Freud, sustenta,   através   de   seus estudos   no   caso   ‘ Breuer  e  sua  paciente  Anna  O ’,  que “ no começo da Psicanálise está o Amor ”.

    Ao analisar o termo Transferência, onde Trans significa passar através de; passar para o nível de, e Feros é conduzir; considero-o reservado única e exclusivamente ao Processo Psicanalítico, que, juntamente à resistência e à interpretação, formam o tripé de sustentação da Prática Psicanalítica.

    A Transferência é um conjunto de formas cujas quais o Paciente vivencia, com a figura da Psicanalista, na relação analítica, as suas representações próprias – as “ relações objetais ” – suas fantasias inconscientes, permitindo ao Psicanalista enumerar hipóteses que poderão integrar o passado ao presente, a realidade com a fantasia, o inconsciente com o consciente deste Paciente.

    Segundo Sigmund Schlomo Freud  o  “ Amor de Transferência é o pior obstáculo que nós, Psicanalistas, podemos encontrar ”, pois trata-se de uma falsa conexão do Paciente com o Psicanalista.

    É a Transferência um forte instrumento da ‘ cura ’ analítica, porém e também, um grande obstáculo ao nosso trabalho da análise, pois ao mesmo tempo em que o Paciente faz um movimento para revelar-se, poderá surgir, com este movimento, a resistência.

    E é neste momento que, nós Psicanalistas, devemos reconhecer a Transferência para que esta torne-se um aliado no tratamento, caso contrário, esta Transferência trabalhará contra o Paciente – será um obstáculo.

    Eticamente, devemos sempre realizar uma Aliança Terapêutica, absolutamente livre de quaisquer conflitos, sem neuroses do Paciente com o Analista e, principalmente e mais importante : Esta Aliança Terapêutica deve estar alicerçada e continuamente conduzida com o respeito mútuo, com a verdade e com a igualdade.

    Enfim,  como  já  o  disse  no  início,  o Amor,  em suas inúmeras ‘ definições ’ é indefinível, mas imensamente abrangente e presente em todos os tipos de sentimentos.

    Referências Bibliográficas 

    • Sanhudo, Castilhos . Apostila “ Sexologia e Psicanálise ”
    • Lopes, Antônio . Apostila “ Sexologia e Psicanálise ”
    • Freud, Sigmund Schlomo . “ Além do princípio do prazer ” . Obras Completas, volume XVIII
    • Freud, Sigmund Schlomo . “ A dinâmica da transferência ” . Obras Completas, volume XII
    • Lacan, Jacques – Marie Émile Lacan . “ O Seminário : Livro 7 : A Ética da Psicánalise ”
    • Lacan , Jacques – Marie Émile Lacan . “ O Seminário : Livro 8 : A Transferência ”
    • Nietzsche, Friedrich Wilhelm . “ Aforismos sobre amor e morte ”
    • Zimerman, David E. . “ Fundamentos Psicanalíticos ”
    • Camões, Luís Vaz . “ Os Lusíadas ”
    • Platão . “ O banquete ”
    • Viltard, M. . “ Amor ” . Dicionário Enciclopédico de Psicanálise
    • Barros Filho, Clóvis de . “ A vida que vale a pena ser vivida ”
    • Pisetta, Maria A.A.de Mello . “ Metáfora e real no amor ”

    QUANDO  NIETZCHE  CHOROU

    MARCIA  ELIZA  STREB |  PsicAnalista

    Porto Alegre / RS, 06 de Abril de 2015, XXI. 

    “ Nós somos, por amor, grandes infratores da verdade

    e inveterados ladrões e receptadores,

    deixando passar por verdade

    mais do que nos parece verdade

    - por isso o ‘ pensador ’ deve,

    de quando em quando,

    afugentar as pessoas que ama

    ( não serão exatamente aquelas que o amam ) ,

    para que mostrem seu ferrão e sua maldade

    e parem de seduzi-lo.

    Assim, a bondade do ‘ pensador ’

    terá sua lua crescente e sua lua minguante. ”

    (  Friedrich Wilhelm Nietzsche, “ 100 Aforismos sobre o amor e a morte ”,

    Aforismo n° 49 – Amor e Veracidade – pág. 31, 1990. )

    Ao analisar a obra de ficção “ Quando Nietzsche chorou ”, encontrei, em seu enredo, uma vasta ilustração dos fundamentos da Psicanálise, que discorrem na trama, como a ‘ Cura pela Fala ’, introduzindo inúmeros conceitos psicanalíticos  tais  como  :   A   ‘ Hipnose ’,   as   ‘ Repressões ’,    as  ‘ Resistências ’,    os ‘ Mecanismos   de   Defesa ’,   as   ‘ Transferências ’,    o  ‘ Narcisismo ’, as ‘ Catexias ’, o alívio das tensões do Paciente através das ‘ Revelações ’, a  ‘ Interpretação dos Sonhos ’,  os  ‘ Conflitos entre o Id e o Ego ’,  as  ‘ Pulsões de Vida e de Morte ’, o ‘ Benefício Secundário ’,  além de muito material para a conceituação e entendimento da Teoria Psicanalítica, que foi demonstrada em cada um dos personagens, integrantes desta ficção.

    Discorro, a partir de agora, minha análise de algumas características psicanalíticas que encontrei em cada um dos personagens desta trama, em separado e sem quaisquer hierarquias de representação dentro desta trama :

    Personagem ‘ Lou Andreas - Salomé : Portadora de uma energia mental com características libidinosas / eróticas; promove condições de auto-gratificação na busca de tratamento ao ‘ personagem Friedrich Nietzsche ’, pelo qual sente-se ela, inconscientemente, em compromisso / sentimento de culpa, por não aceitar um relacionamento amoroso com ele.

    Também apresenta esta personagem, comportamento egocêntrico e com representação de uma necessidade de domínio, em atos, ilustrados  na  trama quando, ao adentrar no consultório do ‘ personagem Dr. Joseph Breuer ’, ela rapidamente coloca os livros da estante, que estão em posição inclinada diferente dos demais, em igual posição.

    Personagem ‘ Dr. Joseph Breuer :  

    Apresenta rejeição aos seus filhos, rejeição esta decorrente do sentimento de abandono, de angústia da separação que ele, inconscientemente, em plena Fase Anal, guardou, a partir da morte de sua mãe aos seus três anos de idade.

    Em seu inconsciente substitui o ‘objeto – mãe ’ com seu afeto, transferindo-o, em sua fase adulta, para a sua paciente ‘ Anna O. ’, que o infantiliza através do desenvolvimento de ‘ amor ’ do ‘ personagem Dr. Joseph Breuer ’ para com ela.

    O ‘ personagem Dr. Joseph Breuer ’ desenvolve uma auto-aversão, sublimando em sua atuação profissional, seu medo de morrer, sua ‘ corrida ’ contra o tempo de vida que lhe resta, seu desespero pelo que deixou de vivenciar, pela ilusão de sua falta de liberdade.

    Em seus sonhos representa um sentimento de posse para com a sua paciente ‘ Anna O.’, sonhos nos quais lhe é possível realizar suas fantasias sexuais, suprir sua necessidade de paixão, realizar sua vontade de ultrapassar desafios, conquistar sua ‘ liberdade ’.

    Em contrapartida, seu inconsciente mostra-lhe, também, através de sonhos de perdas e abismos, sua real relação de transferência entre ‘ Anna O. ’ e sua Mãe e os derivados psíquicos desta ‘ substituição ’ em relação à sua insatisfação com a própria Vida.

    Através  de  uma  seção de Hipnose e Regressão, método que é testado pelo ‘ personagem Dr. Sigmund Freud ’, seu amigo / confidente, o ‘ personagem Dr. Joseph Breuer ’ percebe, através de insight, o óbvio dos significados de seus sonhos e sentimentos e, com isto, tem uma descarga emocional, cujo resultado é a sua real libertação, valorização de sentimentos, compreensão dos seus afetos; resultado este ilustrado, na trama, quando ele - o ‘ personagem Dr. Joseph Breuer ’ - liberta os pombos que trancafiava junto à ele, na triste compensação de não ser o único sem liberdade.  

    Personagem ‘ Friedrich Nietzsche : Mostra um ser melancólico, desesperado, isolado, silencioso de seus afetos, em profunda depressão, sintomatizada fisicamente em dores de cabeça, com uma profunda Pulsão de Morte e, ao mesmo tempo, com uma personalidade Narcisista, repleta de falta de identidade, com tendência à sentir-se humilhado, instável em sua auto-estima, sofredor silencioso por sentir-se traído, rejeitado e incompreendido e, ainda assim, afetuoso não com os seres humanos, mas sim com os animais.

    Sua característica Narcísica também pôde ser percebida, através  de  uma das  cenas,  onde,  dentro  do  consultório  do  ‘ personagem Dr. Joseph Breuer ’ e logo após ter sido examinado fisicamente, o ‘ personagem ‘ Friedrich Nietzsche ’, em sua imagem corriqueiramente desdenhada, faz questão de pentear os fios de seu bigode ao mesmo tempo em que recebe do médico o diagnóstico do exame físico realizado à poucos instantes.

    O ‘ personagem Friedrich Nietzsche ’, ao tornar-se consciente da sua solidão, de sua vergonha, e  principalmente,  de  sua  ilusão  delirante  em  relação  à personagem ‘ Lou Andreas-Salomé ’, chora, em choque, ante à decepção da cruel constatação da realidade, da sua consciência de ser humano, capaz de ser amado, de gostar de ser desejado, de ser, apesar do cultivo de sua solidão e silêncio, um ser sociável e liberto.  

    Opto, nesta análise sobre a trama, em não dissertar / analisar  os personagens  de  ‘ Frau  Becker ’,  ‘ Matilda  Breuer ’,  ‘ Bertha  Pappenhein ’,  ‘ Paul  Rée ’,  ‘ Tarski ’,  ‘ Zaratustra ’,  e  mesmo ‘ Dr. Sigmund Freud ’, não por  irrelevância,  mas sim pela opção de concentrar minha análise nos personagens mais expressivos psicanaliticamente, dentro da trama.

    Referências Bibliográficas 

    • Sanhudo, Castilhos . Apostila  “ Teoria Psicanalítica III ( Freud ) ”.
    • Zimerman, David E. . “ Fundamentos Psicanalíticos ” .
    • Freud, Sigmund Schlomo . “ A Interpretação dos Sonhos ” . volume I .
    • Durant, Will .  “ Os Grandes Filósofos -  A Filosofia de Nietzsche ”.
    • Machado, R. . “ Zaratustra, Tragédia Nietzschiana ”.
    • Nietzsche, Friedrich Wilhelm . “ Aforismos sobre o amor e a morte ”.
    • Nietzsche, Friedrich Wilhelm . “ A Gaia Ciência ”.
    • Nietzsche, Friedrich Wilhelm . “ Além do Bem e do Mal ”.
    • Nietzsche, Friedrich Wilhelm . “ Ecce Homo ”.

    Estudo  do  Terceiro  Capítulo  de  ‘ TOTEM  e  TABU ’

    MARCIA  ELIZA  STREB |  PsicAnalista

    Porto Alegre / RS, 05 de Maio de 2015, XXI.  

    ‘ O  Tabu  e  a  Ambivalência  dos  Sentimentos ’ 

    de  Sigmund Schlomo Freud 

    “  ... Deduzir o significado original do totemismo

    dos seus vestígios remanescentes na infância

    –  das insinuações dele que emergem no decorrer

    do desenvolvimento de nossos próprios filhos.

    As relações estreitas que existem entre totens e tabus

    parecem oferecer bases a esta hipótese;

    mas, mesmo que esta se revele finalmente como inverossímil,

    ela terá contribuído, numa certa medida,

    para nos aproximar de uma realidade desaparecida,

    e tão difícil de ser reconstruída. ”

    ( Sigmund Schlomo Freud, 1913 )

    Antes do estudo do texto, acima intitulado, se faz necessário a colocação de alguns conceitos básicos da Semiologia, imprescindível à Análise Psicanalítica.

    A Semiologia, importante teoria introduzida pelo suíço, linguista e filósofo Ferdinand de Saussure, ocupa-se da linguagem em geral :  Humana, animal e de quaisquer sistemas de comunicação, sejam estes sistemas naturais ou convencionais.

    Dentro desta teoria há quatro elementos básicos : O signo, o sinal, o significante e o significado.

    A palavra ( língua ) é um signo, utilizado para expressar um objeto que percebemos ou imaginamos em um determinado sentido.

     

    Ferdinand de Saussure 

    Segundo o pedagogo, cientista e matemático americano Charles Sanders Peirce, o signo é qualquer coisa que represente uma outra coisa para alguém, não importando a espécie e é composto por uma tríade :

    • O Representamento que é a coisa que representa ;
    • O Objeto que é a coisa que é representada ;
    • O Intérprete que é a terceira coisa; aquilo que surge na mente do intérprete no momento em que ele percebe aquela primeira coisa.

     Charles Sanders Peirce

    O sinal é uma manifestação objetiva, observável e passível de percepção, transmissível através de uma mensagem – seja ela falada ou demonstrada.

    O significante é a imagem acústica; é a impressão psíquica do som da palavra falada ; é a parte fônica. Possui um código afetivo.

    significado é o conceito; é a noção do objeto; é a representação. Possui um código informativo.            

    Tal qual uma expressão matemática simples, o signo é o somatório do significante e do significado e, sempre representará alguma coisa distinta do seu objeto.

    Logo, é pela palavra que teremos a revelação de um Ser.

    A palavra do Paciente, repleta de signos, nos traz sinais, nos transmite mensagens com os quais teremos condições para formalizar hipóteses sobre a dissertação e o comportamento do Paciente. Ou seja : As palavras e o comportamento transmitidos pelo Paciente nos permitem ‘ ouvir ‘ o que não foi falado.

    A  ambivalência, do latim ‘ ambi ’ = dois  e  ‘ valência ’ = força, é a experiência de ter-se, simultaneamente, sentimentos conflitantes, positivos e negativos, para uma determinada coisa ou Ser.

     

    Ao realizar o estudo do terceiro capítulo ‘ O Tabu e a Ambivalência dos Sentimentos ’ do livro ‘ Totem e Tabu ’ de Sigmund Schlomo Freud, percebo nitidamente a intenção do Pai da Psicanálise em revelar a origem das neuroses, bem como em estabelecer uma relação dos tabus primitivos - sendo ‘ tabu ’ quaisquer objetos ou seres que transformam-se em signos, com seus sinais antagônicos, significados e significantes - com a atual conduta humana.

    Segundo Sigmund Schlomo Freud, as proibições do tabu não teriam fundamentação e as suas origens seriam desconhecidas, porém, eram aceitas como naturais pelos povos que as praticavam, tendo por objetivo primordial a proteção dos membros do grupo de uma suposta ‘ força ’ perigosa contida em objetos - tabus, e perigosamente transmissível por contato.

    A punição pela violação dos tabus, à princípio, vinha do próprio tabu; posteriormente, com a associação dos tabus à deuses e espíritos, a punição viria do poder divino e, em outros casos, advinha da própria sociedade se encarregaria da punição.

    A violação do tabu transformaria o próprio transgressor em tabu, sendo necessária sua purificação e expiação através de rituais.

    O próprio contato ou aproximação com o tabu seriam suficientes para contaminar o transgressor.

    Com a determinação dos tabus os povos primitivos estariam, então, sujeitos a vários tipos de proibições, sem conhecer sua origem e sem sequer questioná-las, submetendo-se a elas e temendo a punição pela sua violação, ainda que essa violação fosse totalmente involuntária.

    Os tabus, relacionados a objetos inanimados, tornavam tabu quaisquer objetos ‘ misteriosos ’ ou que causassem algum medo ou angústia.

    Assim o tabu representava um poder demoníaco ocultado em um objeto - tabu; as proibições visavam qualquer ato que pudesse provocar a evocação desse poder.

    Aos poucos, o tabu foi se desprendendo dessa característica demoníaca e desenvolveu-se independente dele, nas normas dos costumes e das tradições e, finalmente, nas leis.

    Neste ponto do estudo observo que, apesar do perigo de traçar uma analogia entre o comportamento de povos primitivos, que adotaram os tabus, e o comportamento de Pacientes Obsessivos, Sigmund Schlomo Freud  segue com a analogia.

    Observa ele, então, que o ponto mais semelhante entre eles seria a ausência de motivos para o comportamento obsessivo dos neuróticos e para o tabu; que não seria necessário haver quaisquer tipos de ameaças de punições concretas para a sua violação, pois existiria uma certeza interna de que a violação do tabu resultaria em alguma desgraça, não havendo sequer a noção do tipo de mal que resultaria desta violação.

    Outra semelhança entre o tabu e comportamento do neurótico obsessivo, com relação ao objeto proibido, seria a proibição do contato com o objeto - tabu, mas não só o contato físico; também o contato visual e até mesmo pelo pensamento, sob o risco de um perigoso contágio.

    Para aliviar as restrições que os tabus e as proibições obsessivas impunham, os povos primitivos praticavam algumas cerimônias de expiação, de purificação.  Trazendo para os nossos dias, é possível exemplificar com o hábito de lavar-se constantemente de certos Pacientes que desenvolvem neuroses.

    O comportamento obsessivo resultaria de um desejo proibido. Seria resultado de uma tensão entre o desejo instintivo que, proibido externamente e portanto reprimido, se desloca para o inconsciente.

    Então o Ser não tem consciência do desejo, apenas é ciente da proibição e, inconscientemente, este desejo desloca-se para outros objetos com o intuito de alcançar a satisfação, mas a proibição também se desloca.

    Para reduzir essa tensão, surgem as atitudes obsessivas que são, ao mesmo tempo, atitudes substitutivas do desejo.  

    Provavelmente o tabu surgiu a partir de certos desejos e inclinações, e assim, passado de geração em geração através da tradição, pela autoridade parental e social.

    Também há, em torno do tabu, um sentimento de ambivalência, ilustrado pelo desejo de violar o tabu e, ao mesmo tempo, o medo de violá-lo; sendo que o medo é mais forte do que o desejo inconsciente.

    As mais antigas proibições relacionadas aos tabus, definiam não matar o animal totêmico e não realizar relações sexuais com membros do mesmo clã totêmico e do sexo oposto. Sendo estes os maiores e mais antigos desejos do Homem primitivo, seriam estes mesmos desejos o núcleo das neuroses e o ponto central da sexualidade da criança.

    Explicando o motivo pelo qual quem viola um tabu também torna-se tabu, estaria a possibilidade de aquele que realiza um desejo proibido incitar os outros a imitar o seu ato, pois o violador, tornando-se tabu mesmo que temporariamente, teria a qualidade de despertar nos outros os desejos proibidos.

    Nessa linha de pensamento e interpretação, o contágio do tabu representa uma espécie de proteção da sociedade contra sua dissolução, através da violação geral do tabu.

    Pode observar-se, através de comparação dos tabus com as proibições obsessivas, que o tabu é uma proibição primitiva, imposta por uma autoridade de fora e contra os desejos mais poderosos dos Seres Humanos; o desejo de violar o tabu persistiria no inconsciente; obedecer ao tabu produziria então, sentimentos ambivalentes de medo e desejo – característica mais importante do tabu.  Logo, o poder do tabu estaria na sua capacidade de provocar a tentação e de contaminar os outros pelo exemplo.

    O tabu representaria, assim, uma forma eficiente de coerção das pulsões, impedindo que os Homens dessem liberdade às suas tendências, por exemplo, homicidas e incestuosas.

    Em seguida, Sigmund Schlomo Freud passa a analisar os três tipos de tabu relacionados à figura paterna entre os selvagens que, segundo ele, são os que mais se aproximam dos Homens primitivos e que não sofreram tantos deslocamentos.

    São eles, os tabus vinculados aos inimigos, aos chefes e aos mortos.

    Na parte final do texto, fica claro que esses tabus se relacionariam diretamente com as características do chefe da horda.

    Em relação aos inimigos, os ‘ selvagens ’ manteriam sentimentos ambivalentes para com ele após sua morte, e que seriam revelados em diversos rituais onde haveriam expressões de ódio, de remorso pela morte, de admiração pelo inimigo e de culpa por seu assassinato, através do apaziguamento do inimigo morto, de restrições sobre o seu assassino, de purificação e expiação por parte de seu assassino.

    Quanto aos governantes, chefes e autoridades, os Homens primitivos expressavam a necessidade de protegê-los e de serem protegidos contra eles, o que configuravam-se em inúmeros tabus.

    Estes tabus eram atos que deveriam ser seguidos pelo chefe – e que incluíam, além de inúmeros privilégios, muitas restrições - e pelos súditos, em relação ao chefe - que são expressão dos sentimentos ambivalentes direcionados a esse chefe, e a hostilidade em relação a ele era admitida, apenas em cerimonias.

    Conclui-se que em relação ao chefe por seus súditos, como ao pai, por um filho, há uma idealização de seus poderes, sendo as atitudes de ambos infantilizadas.

    Da mesma forma que os rituais de proteção dos chefes são uma expressão de exaltação de sua figura, são também a imposição de duras restrições que representam os sentimentos de hostilidade para com ele, o que faz com que sua posição não seja, na maioria das vezes, cobiçada.

    Com relação aos mortos, todos os que tivessem contato com um cadáver sofriam as mais duras restrições, não podendo ter contato com outras pessoas durante um determinado período de tempo e nem mesmo comer com suas próprias mãos.

    Tais restrições eram estendidas, também, às pessoas que não tivessem tido contato direto com os mortos, mas que fossem parentes, viúvos ou viúvas.

    Um exemplo desse tipo de restrição é a proibição de mencionar o nome do morto, pois sua pronuncia significaria uma evocação da alma do morto.

    Estes rituais tinham como meta impedir uma reaproximação dessa alma, possuidora um poder demoníaco, sendo então os mortos encarados como inimigos.

    A razão para esses rituais e para a transformação de um Ser amado, depois de morto, em espírito demoníaco são as hostilidades inconscientes dirigidas à pessoa morta, apesar do amor consciente sentido por elas; os tabus seriam uma proteção contra a vingança do morto por esta hostilidade.

    E, seguindo o raciocínio de Sigmund Schlomo Freud, esta hostilidade seria a razão para o luto patológico, por exemplo.

    Desta forma, a ambivalência de sentimentos estaria, mais uma vez, no centro das motivações dos tabus – o sofrimento consciente e a satisfação inconsciente com a morte do outro.  E tanto nos   povos   primitivos   como   nos   povos  ‘ selvagens ’ ou nos Pacientes obsessivos, essa ambivalência seria vivida com maior intensidade, daí a necessidade dos povos primitivos de produzirem os tabus, fazendo um deslocamento da autocensura criada como defesa, por uma certa satisfação sentida com a morte, pelos neuróticos, para com os mortos - objetos das hostilidades.

    O conflito de sentimentos ambivalentes com a morte, não pode mais ser retido, e no luto este conflito explode, ainda que parte desses sentimentos sejam inconscientes; com o fim do luto, os rituais do tabu e a projeção de um demônio podem ser abandonados, já que o conflito cessa ou diminui.

    Esta projeção consiste em direcionar aos outros – mortos, chefes, inimigos - desejos de natureza agressiva e conteúdo edipiano inconscientes que geram culpa, significando uma libertação.

    Para Sigmund Schlomo Freud, houve uma diminuição gradativa de ambivalência em relação à morte, com o passar do tempo; e o Homem civilizado pôde abandonar os tabus relacionados à ela.

    A própria expressão tabu tem uma significação ambivalente, sendo ‘ sagrado ’ e ‘ impuro ’ ao mesmo tempo.

    Concluindo o estudo do texto, concordo com Sigmund Schlomo Freud  ressaltando que : “ Só pode  haver  proibições  onde  reside  um  forte  desejo,  uma forte inclinação em realizar o ato proibido, ainda que não haja nenhuma consciência desse desejo ” .

    Referências Bibliográficas 

    • Sanhudo, Castilho Silveira . Apostila “ Semiologia Psicanalítica
    • Freud, Sigmund Schlomo .  “ Totem e Tabu ”, 1913.
    • Zimerman, David .  “ Fundamentos Psicanalíticos : Teoria, Técnica e Clínica ”, 1999.
    • Lacan, Jacques – Marie Émile . “ O Seminário - As Formações do Inconsciente ”,

            livro 5 ,  1958.

    • Presa, Giovanna A. . “ Análise ”, 2012.
    • Santaella,  Lucia .  “ A Teoria Geral dos Signos ” ,
    • Vicenzi, Eduardo . “ Psicanálise e Linguística Estrutural ” . 2007.
    • Gentil, Ana Carolina . “ O Signo : Significado e Significante ”, 2006.
    • Bento, Victor Eduardo Silva . “ Semiologia Psicanalítica em Freud ” , 2006.

    ANÁLISE   DE  TRÊS  SONHOS  FICTÍCIOS

    MARCIA  ELIZA  STREB |  PsicAnalista

    Porto Alegre / RS, 04 de Maio de 2015, XXI. 

    “  Sonho meu, sonho meu, vai buscar quem mora longe,

    sonho meu, vai mostrar esta saudade

    sonho meu, com a sua liberdade

    sonho meu, no meu céu a estrela guia se perdeu

    e a madrugada fria só me traz melancolia, sonho meu.

    Sinto o canto da noite na boca do vento

    fazer a dança das flores no meu pensamento.

    Traz a pureza de um samba sentido, marcado de mágoas de amor ;

    um samba que mexe com o corpo da gente

    e o vento vadio embalando a flor, sonho meu !  ”  

    ( Yvone Lara  &   Délcio Carvalho, “  Sonho Meu).

    Antes de iniciar a análise dos três sonhos, abaixo descritos, se faz necessário reafirmar, como já mencionado no título deste Trabalho, que estes sonhos são pura e totalmente fictícios.

    Este fato deverá ser levado em consideração no que tange à quaisquer ‘ relação e / ou conhecimento ’ destes ‘ Pacientes ’ – que não existem.

    Também serão  percebidos a falta de análise / consideração dos ‘ resíduos do dia ’ destes ‘ Pacientes Fictícios ’, bem como os possíveis prejuízos nas análises destes três sonhos – prejuízos estes que poderão ter como justificados a ausência de conteúdos reais à analisar, referentes ao processo de elaboração dos sonhos, executado através de mecanismos como : ‘ dramatização / concretização, ‘ condensação ’, ‘ desdobramento / multiplicação ’, o ‘ deslocamento ’, entre outros, já que não houveram quaisquer contatos reais com quaisquer Pacientes reais.

    Portanto, a análise do conteúdo que se segue, abaixo, é meramente um exercício inicial de interpretação de sonhos.

    Relato do Sonho n° 1 :

    ‘ Paciente ’ A , feminino, 36 anos, casada.

    A sonhou que estava em um campo muito verde e nele havia uma única árvore frondosa e florida.

    A   corria até esta única árvore.

    O céu estava azul e calmo.

    Quanto mais A corria, mais a distância até a árvore parecia aumentar.

    A  vestia uma saia completamente rasgada, estava descalça, carregava uma mala cheia de papéis velhos.

    Finalmente A chegou até a árvore e viu que em seu tronco havia uma fechadura com a chave ;  A  girou a chave e uma porta abriu-se.

    A  acordou.

    Conteúdo Manifesto do Sonho n° 1 : Campo verde, árvore frondosa e florida, céu azul, saia, descalça, mala, papéis velhos.

    Conteúdo Latente do Sonho n° 1  : Correr, distância, rasgada, carregar, fechadura com chave, girar.

    Interpretação do Sonho n° 1  : O campo muito verde, a árvore florida e o céu azul e calmo situam a ‘ Paciente ’ A  em uma determinada época do ano : Na Primavera, que representa o renascer, a tranquilidade da natureza.

    A única árvore = símbolo mítico de ‘ guardiã de tesouros ’, no campo que a ‘ Paciente ’ A  visualiza,  simboliza o arquétipo materno, o pilar genético da criação : a Mãe.

    A saia configura a confirmação do sexo da ‘ Paciente ’ A, bem como a imagem da saia rasgada, é interpretada como danificada, representando a mulher : Incompleta.

    A ‘ Paciente ’ A  relata estar descalça, significando um ego fragilizado; com dificuldades em relação à realidade.

    Sensação de maior distanciamento à media em que corria, significando uma resistência de encontro com a sua própria origem, com seu material inconsciente, muito provavelmente desenvolvido em sua geração e / ou infância.

    Corre = penetrando no seu inconsciente, buscando o retorno ao ventre materno e, ao mesmo tempo, carrega uma mala cheia de papéis velhos, que identificam a totalidade do seu Self, com toda a sua personalidade, caráter e temperamento desenvolvidos até a sua atualidade.

     A ‘ Paciente ’ A se depara em frente a árvore, significando que conseguiu transpor suas resistências de encontro com seu inconsciente e no tronco encontra uma fechadura com chave, onde a fechadura simboliza o útero materno e a chave, encontrada junto a fechadura, simboliza a possibilidade, o consentimento ao acesso à sua origem.

    Em  frente  à  fechadura  com  chave,  no  tronco  da  árvore,   a  ‘ Paciente ’ A gira a chave, significando que tomou um posicionamento, uma decisão  e uma porta de abriu, remetendo-a ao ventre materno.

    Relato do Sonho n° 2 :

    ‘ Paciente ’ B , masculino, 27 anos, casado.

    B  subiu por uma escada de corda até alcançar, bem no alto, uma casa nova e bonita.

    Ajudado por um Policial, B conseguiu vencer a dificuldade e chegar até a casa, onde lá encontrou sua filha.

    Abaixo da casa passava um rio de águas claras e caudalosas.

    B , sua filha e um cãozinho entraram em um pequeno barco e partiram em busca de uma nova vida.

    O rio seguia por dentro de um túnel em que as paredes eram forradas de alumínio.

    Eles, no barco, admiravam o brilho intenso dentro do túnel.

    B acordou.

    Conteúdo Manifesto do Sonho n° 2 : Escada, policial, casa, filha, cãozinho, rio, barco, túnel.

    Conteúdo Latente do Sonho n° 2 : Alto, ajuda, casa nova e bonita, dificuldade, abaixo da casa, águas claras e caudalosas, alumínio, brilho.

    Interpretação do Sonho n° 2 :  O ato do ‘ Paciente ’ B de subir uma escada de cordas, representa uma busca de evolução, uma perspectiva melhor, mais ampla, abrangente e superior.

    A casa nova e bonita simboliza o próprio ‘ Paciente ’ B em seu recente estado psíquico.

    O ‘ Paciente ’ B  relata a ajuda de um Policial em sua dificuldade em chegar até a casa, identificando nesta simbologia a sua necessidade de controlar seus impulsos frente às normas éticas, reestabelecer a sua racionalidade, ou seja, sua necessidade em fortificar o seu Superego.

     Na casa nova e bonita o ‘ Paciente ’ B  encontra a sua filha, que simboliza a continuidade, a imortalidade e o vislumbre na concretização de metas que ainda não foram alcançadas.

    Sob a casa o ‘ Paciente ’ B  relata a existência de um rio com águas claras e caudalosas; a localização ‘ sob a casa ’ representa o seu inconsciente e as águas claras e caudalosas significam, respectivamente, a fertilidade, a renovação, as emoções.

     O ‘ Paciente ’ B, sua filha e um ‘cãozinho’ entram em um pequeno barco;  aqui o ‘cãozinho’ representa a proteção, a fidelidade e a generosidade e, o pequeno barco, adquiriu o significado do acesso / transporte ao seu inconsciente, em busca de soluções para os seus traumas, pois assim poderá seguir seu viver com equilíbrio.

    Relata, ainda, o ‘ Paciente ’ B  que o rio desenvolve-se dentro de um túnel, em que as paredes são revestidas com alumínio : O túnel representa o nascimento e as novas investigações sobre si mesmo; o revestimento com alumínio das paredes significa a faculdade / facilidade de manter suas novas decisões e conquistas – sua autoestima.

    Todos, no barco, admiravam o brilho intenso do túnel : Representa a totalidade do Eu do ‘ Paciente ’ B , resolvido em suas questões passadas e equilibrado em suas atitudes por vir.

    Relato do Sonho n° 3 :

    ‘ Paciente ’ C , feminino, 45 anos, casada.

    “  C  assistia, com seu marido, um jogo de futebol.

    Os dois estavam sentados ao lado das mais altas autoridades e a maior autoridade presente era um Rei de Copas.

    Quando o marido de C vai para o campo de futebol, C se transforma na Rainha de Copas  e  inicia uma briga com o Rei de Copas.

    O time do marido de C vence o jogo e ela, não mais Rainha de Copas, serve à ela e ao marido vinho em taças de metal.

    Eles brindam e o Rei de Copas pega fogo.

    C acordou.

    Conteúdo Manifesto do Sonho n° 3 : Marido, jogo de futebol, sentados, campo de futebol, vinho.

    Conteúdo Latente do Sonho n° 3 :  Rei de Copas, Rainha de Copas, briga, time, vitória, taças de metal, brinde, fogo.

    Interpretação do Sonho n° 3 :  A ‘ Paciente ’ C  relata assistir um jogo de futebol, sentada ao lado do marido : Aqui o marido representa o Pai como uma figura secundária na relação parental.

    O jogo de futebol significa uma fuga da sexualidade.

    A ‘ Paciente ’ C  está sentada ao lado de grandes autoridades, sendo que a maior autoridade presente é o Rei de Copas, representando no sonho o poder vital, o Pai e,  um provável recalque do seu erotismo.

    Seguindo o relato, o marido da ‘ Paciente ’ C  vai para o campo jogar, e o time vence o jogo.  Aqui o campo representa a liberdade.

    Na ocasião do desenrolar do jogo, a ‘ Paciente ’ C  vê-se como Rainha de Copas, significando que passa a representar a Mãe, figura que, provavelmente, é ou era predominante na relação parental, representando um maior status e, por consequência detentora de um maior poder dentro do núcleo familiar.

    Na figura de Rainha de Copas, a ‘ Paciente ’ C  briga com o Rei de Copas, retratando seus ressentimentos e conflitos, presentes e ocultos no seu inconsciente.

    Após a vitória do time em que o marido jogou, a ‘ Paciente ’ C , de forma consciente, brinda com vinho em taças de metal : Significa que, após o insight, ela reconcilia-se com ela própria, proclamando, com o brinde, uma comunhão forte – taças de metal – com o marido.

    E o Rei de Copas pega fogo ... Simbolizando o Superego, expressando a energia psíquica extravasada.  

    Referências Bibliográficas 

    • Sanhudo, Castilho Silveira . Apostila  “ Interpretação  dos  Sonhos
    • Sanhudo, Castilho Silveira . “  A  Importância  dos Sonhos ” , Blog ‘ O Psicanalista ’,  novembro de 2014.
    • Sanhudo, Castilho Silveira . “  A  Prática  da  Interpretação  dos  Sonhos ” , Blog ‘ O Psicanalista ’,  maio de 2014.
    • Freud, Sigmund Schlomo .  “ A Interpretação dos Sonhos  ”, vols. II, III e VI , 1900.
    • Zimerman, David .  “ Fundamentos Psicanalíticos : Teoria, Técnica e Clínica ”, 1999.
    • Angelim, Kelly Cristina Souza .  “ A importância dos Sonhos para a Psicanálise ”, 2013.  
    • Silva, Abnézer  Lima  da  .  “ Os sonhos  ”,  2010.
    • Lara  &  Carvalho,  Yvone  &  Délcio  .  “  Sonho meu ” ,  música  composta  em 1978. 

    AUTOESTIMA  e  o  SELF

    MARCIA  ELIZA  STREB |  PsicAnalista

    Porto Alegre / RS, 24 de Abril de 2015, XXI. 

    “ No retrato que me faço

    -  traço  a  traço  –

    às vezes me pinto jovem,

    às vezes me pinto árvore ...

    Às vezes me pinto coisas

    de que nem há mais lembrança ...

    Ou coisas que não existem

    mas que um dia existirão ...

    E, desta lida, em que busco

    -  pouco  a  pouco  –

    minha eterna semelhança,

    no final, que restará ?

    Um desenho de criança ...

    Terminado por um louco !  ”

    ( Mario de Miranda Quintana, “ O Auto Retrato ” ).

                                                   A Autoestima, em conceituação geral, é retratada em indivíduos que valorizam à si mesmos, que satisfazem-se com o seu modo de ser, o que resulta em uma confiança em seus próprios julgamentos e atitudes, assumindo as responsabilidades de seus atos, sem agressividade e com objetividade.

    Muitas vezes confundida com o egoísmo, com a arrogância, com a presunção e, até mesmo como um Distúrbio de Personalidade Narcisista, a autoestima, em dimensão particular, envolve crenças auto significantes que tanto podem ser de natureza positiva quanto negativa e que, também, pode ser edificada com traços de personalidade – traço de autoestima – ou em condições psíquicas temporárias – estado de autoestima.

    Nathaniel Brander, americano – canadense, contemporâneo, Psicoterapeuta e Escritor, definiu a autoestima como “ a disposição de experimentar a si mesmo como competente para lidar com os desafios básicos da vida e como digno de felicidade ” .

    Nathaniel Brander

    Decorrente de seus estudos e pesquisas com seus alunos e pacientes, Nathaniel Brander classificou a autoestima em ‘ Seis Pilares ’, que aqui apresento  muito  resumidamente  :

    1. Viver conscientemente, tendo o indivíduo consciência e respeito pelos fatos reais da sua vida ;
    1. Auto aceitação, indivíduo valorizando a si mesmo, tratando-se com respeito e lutando pelo direito de Ser ;
    1. Auto responsabilidade, que simplesmente é o agente causal do que ocorre com o próprio indivíduo ;
    1. Auto afirmação, onde o indivíduo recusa a falsidade de si mesmo com o intuito de ser apreciado ;
    1. Intencionalidade, é a responsabilidade consciente do indivíduo formular os próprios propósitos e objetivos, monitorando seu comportamento à direção correta ;
    1. Integridade Pessoal, onde o indivíduo tem consciência da congruência entre os seus ideais e seus atos.

    Os ‘ Pilares ’ acima brevemente abrangidos, descrevem uma estrutura ‘ ideal ’ de desenvolvimento da autoestima que, infelizmente e em decorrência de inúmeros  fatores  que  vão  desde  dos  psíquicos, patológicos até os do meio / ambientais, o ‘ Indivíduo ’,  o ‘ Si Mesmo ’,  o  ‘ Eu ’,  a  ‘ Imagem de Si Mesmo ’, enfim o Self,  não domina,  não equilibra.

                                                   Criador da Escola Psicanalítica da Psicologia do Self, Heinz Kohut,  austríaco,  Psiquiatra  e  Psicanalista no século XX,  definiu  o  Self  como  “ o cerne da personalidade total; o centro independente das iniciativas e das impressões, constituídas antes mesmo do nascimento do Ser ”.

     

    Heinz Kohut   

    Em nossa realidade / atualidade, não só brasileira, mas global, o Ser Humano é induzido à exercer uma autoestima doente, com base em alta competividade – como exemplo ilustro o culto desenfreado ao corpo –  tentando reafirmar um complexo de superioridade em uma personalidade que não busca encontrar o seu valor próprio, original, mas somente o falso deleite de se comparar, de competir.                                                                           

    Não é uma tarefa fácil, na presença de inúmeros conflitos com os quais, diariamente o Ser Humano se depara no meio em que atua e convive, conservar uma autoestima sadia, livre de distúrbios narcísicos, livre dos temores ao ostracismo, a solidão e do abandono.

    Diversos são os casos em que estas ocorrências levam o Paciente, muito facilmente, a abandonar um ideal, uma meta, o trabalho em uma mudança concreta e, ao invés de procurar manter a sua personalidade saudável, o seu carisma e a sua criatividade pessoal e independente dos ‘valores’ impostos em um meio, acaba corrompendo sua autoestima, tornando-a doentia.

    Concluo com a afirmação de que a autoestima provem da capacidade do Ser Humano em reter, aprender e elaborar conteúdos que lhe sejam práticos às suas reais e salutares necessidades; é a capacidade de elaboração de um real sentido da vida do Paciente, ficando este liberto de elementos destrutivos como o medo, a inveja, o ódio, a vaidade extrema, o tédio e a soberba.

    Referências Bibliográficas 

    • Stumpf, Rita Geovane Rosa . Apostila “ Teoria Psicanalítica Freud - IV ”, 2014.
    • Freud, Sigmund Schlomo . “ Psicologia das Massas e a Análise do Eu ” , 1921.
    • Zimerman, David E. . “ Fundamentos Psicanalíticos : Teoria, Técnica e Clínica ”, 1999.
    • Branden, Nathaniel .  “ Os Seis Pilares da Auto-Estima ”, 1995.
    • Branden, Nathaniel .  “ Self – Esteem Cada Dia ”, 1998.
    • Kohut, Heinz .  “ A Psicologia do Self  ”, 1989.
    • Novais, Germano De. . “ Psicologia, Personalidade e Liderança ” , 1977.
    • D’Andrea, Flávio Fortes .“ Desenvolvimento da Personalidade :                         Enfoque Psicodinâmico ”,1972.
    • Friedman, Howard S. e  Schustack, Míriam, . “ Teorias da Personalidade :

            da Teoria Clássica à Pesquisa Moderna ” , 2004.

    • Kluger, Jeffrey . “ Narcisistas : Os Mestres da Negação ” , 2012.
    • Quintana, Mario de Miranda . :  “ O Auto Retrato ” - de “ Poesias ”, 1962.

    A SEXUALIDADE,  o GÊNERO e a PSICANÁLISE 

    MARCIA  ELIZA  STREB |  PsicAnalista

    Porto Alegre / RS, 27 de Abril de 2015, XXI. 

    “ De fato, nenhuma sociedade pode deixar de distinguir

    os homens das mulheres,

    as crianças dos adultos,

    e certamente,

    o sexual do não sexual.

    A verdadeira questão não é a supressão das diferenças,

    ela é, acima de tudo, a de saber em qual plano se exprimem

    e se exprimiriam daí em diante estas diferenças :

    No plano do direito ou no plano de fato ?

    No plano das significações comuns instituídas ou o das escolhas privadas ?

    No da ordem simbólica ou no das situações concretas ?

    Os debates levantados pelo reconhecimento da homossexualidade

    não adquirem todo o seu alcance a não ser relacionados

    com estes três eixos maiores de diferenciação simbólica que são o

    CASAL,  o  GÊNERO  e  a  FILIAÇÃO. ”

    ( Irène Thèry, “ O Contrato de União Social em Questão ”, pág. 173 ) 

    A Sexualidade, parte integrante das nossas vidas, é um tema indiscutivelmente complexo, visto que envolve, no encontro com o ‘ outro ’, uma diversidade de práticas sexuais, estratégias, jogos de conquista, afetos e fetiches, além de tantas outras questões como o fator sócio - econômico, o fator cultural e o questionamento social que por consequência geram, de formas diferenciadas em cada Ser Humano, medos, traumas, angústias, enfim, inúmeros transtornos.

    Embora a Sexualidade esteja ligada ao inconsciente e a pulsão, tem presente, em sua estrutura, o desenvolvimento histórico, pelo qual podemos observar diversas e nítidas mudanças nas últimas décadas.

    É possível citar estas mudanças na Sexualidade ilustrando alguns fenômenos, tais como :

    • O acesso à escolaridade às mulheres ;
    • A entrada e a participação ativa da mulher no mercado de trabalho ( capitalismo ) ;
    • A possibilidade da separação da sexualidade na reprodução humana ;
    • A alteração na formação da família nuclear ;
    • A nova visão perante a homossexualidade ;
    • O avanço medicinal na realização das modificações corporais em Indivíduos transgênicos e transexuais.

    A partir destas mudanças passa à ser evidente a troca do sistema tradicional de reprodução, que baseia-se no casamento ‘ homem - mulher ’ e na família – heterossexual e reprodutora -, para um sistema individualista, estabelecido em termos de direito – a conquista da conjugalidade homossexual – explicito nas novas formas de relacionamentos entre gêneros, apesar de ainda muito presente na atualidade o conceito de masculino com feminino, ou seja, a heterossexualidade; como se não fosse possível viver a diferença na homossexualidade ou na homoparentabilidade.

    Logo, pode-se a afirmar que o ‘ masculino ’ e o ‘ feminino ’ não precisam  ser,  necessariamente,  o  que  foi  definido  como  sendo ‘ homem ’ ou ‘ mulher ’, pois qualquer Ser Humano tanto pode sentir-se de um lado ou de outro.

    No Seeting Psicanalítico tratamos o Ser Humano homossexual sem conservadorismos e sem quaisquer discriminações, porém é latente no meio social em que convive o Paciente o preconceito, a discriminação e o não reconhecimento do laço homossexual e, muito mais ainda, por exemplo, o não reconhecimento da capacidade de cuidar e educar uma criança sem a vinculação da sexualidade de seus pais.

    Outra variante na sexualidade e de também relevada importância na Análise Psicanalítica é a questão sobre os transgênicos e os transexuais.

    A transexualidade, tão antiga quanto a humanidade, é caracterizada / demonstrada pelo Ser Humano por um intenso sentimento de não pertencer ao sexo anatômico, ou seja : É um transtorno de identidade; é a não conformidade entre o sexo biológico e a identidade de gênero.

    Neste  momento  se  faz  necessário  ilustrar  a  diferença   entre ‘ sexo ’ e ‘ gênero ’, que foi introduzida na Psicanálise pelo norte – americano, Professor de Psiquiatria e Psicanalista, Robert Jesse Stoller, com a intenção de aumentar o entendimento da psicodinâmica do Ser transexual, onde diz ele :

    “ O Gênero é a quantidade de masculinidade, ou de feminilidade que uma pessoa possui. Ainda que existam misturas dos dois nos Seres Humanos, o homem – macho – ‘ normal ’  possui  uma  preponderância  de  masculinidade,  e  a  mulher  –  fêmea –  ‘ normal ’  uma preponderância de feminilidade. ”

    Robert Jesse Stoller

    No imaginário social, em geral, existe uma correspondência, ditada ‘ normal ’, entre sentir-se homem – sexo –  e  ser masculino – gênero – , definindo a relação entre o corpo anatômico e a identidade de gênero simplesmente como ‘ natural e direta ’.

    Porém, pelos comportamentos e condutas e seus elementos de informação sobre o sistema simbólico correntes na sociedade à qual o Ser Humano está em convívio, se faz necessário repensar a relação convencionada, até bem pouco tempo, como ‘ natural e direta ’.

    Concluindo, entendo que o principal trabalho da Psicanálise, que já inclui a importante escuta da fala do Paciente, é uma boa e ética investigação, permitindo o reconhecimento e o acolhimento das sexualidades que nos revelam novas e singulares formas de subjetividade e de construção de gênero, tendo importante consideração de como pensa cada Paciente, de como este Paciente, na sua singularidade, vive esta diferença perante as definições pré-estabelecidas na sociedade como heteronormatividade ( do grego hetero = diferente  e  do latim norma = esquadro ).

    Referências Bibliográficas 

    • Sanhudo, Castilhos . Apostila  “ Tópicos Especiais I – Diversidade da Sexualidade ”.
    • Freud, Sigmund Schlomo . “ Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade ”,

            em “ Obras Completas, vol. VII ” , 1972 .

    • Freud, Sigmund Schlomo . “ Fetichismo ”, em “ Escrito sobre a Psicologia do Inconsciente ”, 1927. 
    • Freud, Sigmund Schlomo . “ Algumas Consequências Psíquicas da Distinção

            Anatômica Entre os Sexos ”,  1925 .

    • Zimerman, David E. . “ Fundamentos Psicanalíticos : Teoria, Técnica e Clínica ”, 1999 .
    • Foucault, Michel . “ A História da Sexualidade ” , 1993 .
    • Miskolci, Richard . “ Do Desvio às Diferenças - Teoria e Pesquisa ”, vol. IX, 2005 .
    • Cecarelli, Paulo Roberto .  “ Teoria Sexual e Psicanálise ”, em “ Diferenças Sexuais ”, 1999 .
    • Thèry, Irène .  “ O Contrato de União Social em Questão ” , Paris, pág. 173, 1997.

    "  O HOMEM  DOS  RATOS  "  

    MARCIA  ELIZA  STREB |  PsicAnalista

    Porto Alegre / RS, 07 de Abril de 2015, XXI. 

    “ Só se produz uma mutação decisiva

    quando a autoridade é internalizada,

    ao se estabelecer um Superego.

    Com isto os fenômenos da consciência moral

    são elevados a um outro nível,

    e a rigor, só agora temos o direito da falar de consciência moral

    e de sentimento de culpa.

    Nesta fase deixam de ter sentido o medo de ser descoberto

    e a diferença entre querer fazer o mal,

    pois nada pode ser ocultado do Superego,

    nem sequer os pensamentos.”

    ( Sigmund Schlomo Freud )

    O filme “ O Homem dos Ratos ” evidencia algumas das teorias psicanalíticas  formadas   pelo   Dr.  Sigmund  Schlomo  Freud,   sobre   a  ‘ Fase  Anal ’,  o ‘ Erotismo Infantil ’,   a  ‘ Racionalização ’,   o   ‘ Deslocamento ’,    a   ‘ Representação ’,   a ‘ Ambivalência ’  e  a  ‘ Transferência ’.

    O ‘ Personagem do Paciente ’ relatando seus medos, suas experiências sexuais na infância e seus impulsos criminosos e de suicídio, além de seu comportamento verbalizado e corporal no Setting Psicanalítico, demostra ser um portador de Neurose Obsessiva Compulsiva, com origem na sua infância, com o início da sua vida sexual.

    Também, através do seu relato, o ‘ Personagem do Paciente ’, desenvolveu uma Ambivalência, onde trava uma batalha constante entre o amor e o ódio :  Ao mesmo tempo em que ama o ‘ Personagem do Pai ’ e a ‘ Personagem da Namorada ’ : Odeia à ambos e pelo mesmo motivo – temor da Rejeição de ambos.

    A Neurose Obsessiva Compulsiva, vastamente ilustrada no filme “ O Homem dos Ratos ”, é um transtorno caracterizado pela ansiedade, pelos medos recorrentes – indesejáveis e incontroláveis pelo Paciente -, por pensamentos obsessivos e compulsivos, por comportamento repetitivo.

    Tais compulsões, como contar, rezar ou pensar repetidamente, visando a anulação de um pensamento ruim, podem vir retratados como ideias, imagens ou pensamentos involuntários à vontade do Paciente, como fica evidente no filme, na tentativa de evitar / não entrar em contato com o objeto e/ou situação temidos.

    A Neurose Obsessiva Compulsiva pode vir à tornar-se em incapacitação do Paciente, visto que as obsessões, dependendo quais sejam e a frequência em que ocorram, podem consumir muitas horas no dia-a-dia do Paciente e, devido à esta demasiada ocorrência, alterar, de forma significativa e até patológica, a rotina de normalidade deste Paciente.

    Bastante relevante, também analisada no filme “ O Homem dos Ratos ”, é o uso da linguagem verbal que percebi logo no início do filme, fato que vem revelar um importante significante na história relatada pelo ‘ Personagem do Paciente ’ : Os Ratos.

    Observei, neste filme, que a conduta do ‘ Personagem Dr.  Sigmund  Freud ’  teve alguns “ lapsos ” -  para não chamá-la de errônea.

    Em algumas oportunidades, o ‘ Personagem  Dr. Sigmund  Freud ’ faz intervenções nos relatos do ‘ Personagem do Paciente ’, durante o tratamento. Em uma destas intervenções,  nitidamente  ilustrada   no   filme,  é   a ocasião em   que  o  ‘ Personagem  Dr.  Sigmund  Freud ’  aceita  ver  a  fotografia  do ‘ Personagem do Pai ’ do ‘ Personagem do Paciente ’.

    Este comportamento, indevido, do Psicanalista, leva à uma Transferência do Paciente com o Psicanalista, bastante ilustrado no filme analisado, onde o ‘ Personagem do Paciente ’ transfere o ‘ Personagem do Pai ’ para o ‘ Personagem  Dr.  Sigmund  Freud ’.

    Esta ilustração nos serve, amplamente, para chamar a nossa inteira atenção para o uso do Silêncio e da Isenção com relação aos relatos dos nossos Pacientes, bem como, considerarmos a importante e, muitas vezes inevitável, Transferência.

    Extremamente importante, também, é a nossa correta postura, em todas as suas vertentes, em relação aos nossos Pacientes, afinal, a ‘ fala ’ do Paciente terá, dentro do Setting Analítico, um único indivíduo de ‘ escuta ’ :

    O Psicanalista

    Referências Bibliográficas 

    • Sanhudo, Castilho . Apostila  “ Psicodinâmica das Neuroses ”.
    • Zimerman, David E. . “ Fundamentos Psicanalíticos ” .
    • Zimerman, David E. . “ Vocabulário Contemporâneo da Psicanálise ” .
    • Freud, Sigmund Schlomo . “ Notas sobre um Caso de Neurose Obsessiva ” .
    • Freud, Sigmund Schlomo . “ Totem e Tabu ”.
    • Varella, Dráuzio . “ O Corpo Humano – Transtorno Obsessivo Compulsivo ” .
    • Campos, Rosário M.C. . “ Transtorno Obsessivo Compulsivo de início precoce e de início tardio ” . Tese de Mestrado .

    TEMPERAMENTO,  PERSONALIDADE  e  CARÁTER 

    MARCIA  ELIZA  STREB |  PsicAnalista

    Porto Alegre / RS, 19 de Abril de 2015, XXI. 

     “ A Psicologia de Grupo :  

    O indivíduo num grupo está sujeito, através da influência deste,

    ao que, com frequência,

    constitui uma profunda alteração na sua atividade mental.

    A sua submissão à emoção torna-se extraordinariamente intensificada,

    enquanto que a sua capacidade intelectual é acentuadamente reduzida,

    com ambos os processos evidentemente dirigindo-se

    para uma aproximação com os outros indivíduos do grupo;

    E esse resultado só pode ser alcançado pela remoção

    daquelas inibições aos instintos que são peculiares a cada indivíduo,

    e pela resignação destes àquelas expressões de inclinações

    que são especialmente suas.

    Aprendemos que essas consequências, amiúde importunas, são,

    até certo ponto pelo menos,

    evitadas por uma ‘ organização ’ superior do grupo,

    mas isto não contradiz o fato fundamental da Psicologia de grupo :

    As duas teses relativas à intensificação das emoções

    e a inibição do intelecto nos grupos primitivos. ”  

     ( Sigmund Schlomo Freud, “ Psicologia das Massas e a Análise do Eu ” )  

    Temperamento, Personalidade e Caráter são termos utilizados desde à antiguidade, que buscam traduzir o Comportamento Humano.

    Contudo, mesmo tendo um vasto uso, são termos confusos, de difícil entendimento e, frequentemente, mencionados e utilizados, na análise do Ser Humano, de formas errôneas, com muita carência de clareza em suas definições.

    Para nos situarmos no tempo e buscarmos o entendimento correto de tais termos, é interessante que regressemos na História da Saúde, até o Antigo Egito, onde encontramos curiosidades sobre o Filósofo grego Hipócrates, que lá desenvolveu e completou sua formação em Medicina, tendo sido considerado, até a nossa atualidade, o ‘ Pai da Medicina ’; título adquirido muito embora Hipócrates tenha concluído sua formação médica muito posteriormente à de Imhotep, Vizir Egípcio e primeira figura  com formação em Arquitetura - projetou a primeira pirâmide do Egito : a Pirâmide de Sacara  -  Engenharia e Medicina, à surgir na antiguidade.

                                          

                              Hipócrates                                                Imhotep

    Com    os   estudos,    pesquisas    e    experiências    de   Hipócrates   surgiu   o      termo   ‘ Temperamento ’ ,  originário   do  latim ‘ temperamentum ’, que   se  traduz  por  ‘ medida ’ e, no o qual Hipócrates classificou quatro tipos elementares de temperamento : o Sanguíneo, o Melancólico, o Colérico e o Fleumático.

    Segundo Hipócrates em sua teoria, estes tipos de temperamento são responsáveis pelos níveis de equilíbrio e constituição física do Ser Humano, e correspondem  aos  quatro  elementos  físicos,  sempre  presentes  em  nossa  realidade  : O Fogo, a Água, o Ar e a Terra;  as quatro estações do ano – o Verão, o Outono, o Inverno e a Primavera;  às idades da vida – a Infância, a Juventude, a Maturidade e a Velhice;  e até das horas do dia – a Manhã, o Meio do Dia, a Tarde e a Noite.  

    Ao relacionarmos estes elementos, conhecidos e entendidos por todos nós, à classificação de temperamento, de Hipócrates, torna-se bem mais simples o entendimento e o discernimento, assim ilustrados :

    Temperamento Sanguíneo, correspondente ao sangue em movimento e a inquietude do ar. Representa a peculiaridade e intensidade individual dos afetos psíquicos, do humor e da motivação do Ser Humano.

    Temperamento  Melancólico,  com  compleição  pesada,  com  os ‘ pés no chão ’, portanto, relacionado ao elemento terra, de bile escura. Representa Seres Humanos sonhadores, tristes, rancorosos, pessimistas e solitários.

    Temperamento Colérico, relacionado ao elemento fogo, ardente, intenso, de bile amarela. Representa os Seres Humanos portadores de humor caracterizado por forte desejo e sentimentos impulsivos.

    Temperamento Fleumático, ‘ flegma ’ em grego, se relaciona com  o  elemento  água. Identifica  o  Ser Humano  de  fácil  adaptação,  lento,  apático, de ‘ sangue frio ’.

    Na atualidade ainda são inúmeros os estudos sobre o temperamento, o que nos abre uma grande gama de interpretações, entendimentos e classificações, nos explicando, mais claramente, que a genética, os processos fisiológicos do sistema linfático, a ação endócrina de alguns hormônios e a interferência do meio influenciam na formação do temperamento, sendo este inato e especialmente particular em cada Ser Humano.

    Concluo que o temperamento pode ser transmitido hereditariamente, mas não pode ser aprendido, tampouco pode ser educado.

    Pode sim, tornar-se aprazível em sua maneira de reagir ao meio, porém, sempre de maneira muito peculiar.

    Já em um período de nossa história, bem mais recente, entre os séculos  XIX  e  XX, encontramos   na   conceituação   do   termo   bastante   abstrato  - ‘ Personalidade ’ - declarações que explicam que esta é um conjunto de caraterísticas marcantes em um Ser Humano, com um padrão de individualidade pessoal e social no que diz respeito ao pensar, ao sentir e ao agir, visto que é influenciada pela inteligência e pela criatividade.

    Sua formação no Ser Humano ocorre, desde o período da gestação, com os fatores biológicos, psico-afetivos e sociais, incluindo assim tantos os elementos geneticamente herdados – e aí falo em ‘ temperamento ’ – bem como os elementos adquiridos no meio no qual o Ser Humano está inserido, no meio onde ele vivencia condições ambientais distintas, no meio em que ele sofre com a ação dos estresses e, com a conjunção de todos estes fatores, ele passa à apresentar comportamentos bastante particulares.

    Durante o desenvolvimento do Ser Humano, é na personalidade que ele encontra soluções para diversas questões que vão do físico até os domínios afetivos, estando aberto à novas experiências, mostrando sua capacidade individual de impor e defender seus interesses, capacitando-se em construir relacionamentos, enfim, inúmeras atitudes que estão intrinsicamente ligadas à postura de valores, à tendência do Ser Humano em julgar objetivos como, por exemplo, a liberdade.

    Assim sendo, entendo que a personalidade é única, é dinâmica, é adaptável e é mutável.

    Sigmund Schlomo Freud, à definiu assim  :

    “ Personalidade é a organização dinâmica dos traços no interior do ‘ Eu ’, formados a partir dos genes particulares que herdamos, das existências singulares que suportamos e das percepções individuais que temos do mundo, capazes de tornar cada indivíduo único em sua maneira de ser e de desempenhar o seu papel social. ”

     

    Sigmund Schlomo Freud

    E o termo ‘ Caráter ’ ?

    É   de   origem   grega,    traduzido   como   ‘ sinal  ’,   ‘ marca  ’  ou  ‘ instrumento que grava ’.

    Já o conceito de caráter originou-se na Filosofia, logo tornando-se um grande interesse, passível de inúmeros estudos científicos.

    Uma destas tantas investigações científicas foi desenvolvida pelo Médico, Psicanalista, Cientista Natural e Ex-Colaborador de Sigmund Schlomo Freud, Wilhelm Reich, que definiu o caráter como sendo um conjunto de reações e hábitos de comportamento que vão sendo adquiridos ao longo da vida, desde a infância até a adolescência, especificando assim o modo individual de cada Ser Humano.

     

    Wilhelm  Reich

    Nestes comportamentos, mencionados por Wilhelm Reich, temos as atitudes habituais, o padrão consistente de respostas para as mais diversas situações, os valores conscientes, as atitudes físicas como postura, hábitos de manutenção e movimentação do corpo.

    Ou seja, caráter é o somatório dos vícios, hábitos e virtudes ; é a forma de como o Ser Humano se mostra ao mundo e, cada tipo de caráter possui uma dinâmica particular.

    Ao conhecermos o caráter de um Ser Humano conhecemos os traços essenciais que determinam o conjunto de atos deste Ser.

    Basta ver alguns tipos de caráter :

    Caráter Esquizóide apresenta um comportamento à esquiva ;

    Caráter Oral apresenta dependência ;

    Caráter Masoquista caracteriza-se pelo sofrimento, pela lamúria ;

    Caráter  Obsessivo-Compulsivo idealiza a limpeza e a ordem ;

    Caráter Fálico – Narcisista  necessita do poder  ;

    Caráter Histérico age com a sedução.

    Ainda segundo Wilhelm Reich : “ O caráter não é determinado por aquilo que evita, mas pela maneira como o faz e pelas forças pulsionais que o Ego utiliza para este fim .

    Concluo, entendendo que os termos Temperamento, Personalidade e Caráter são os traços essenciais determinantes dos atos do Ser Humano.

    É através do Caráter que a Personalidade e o Temperamento do Ser Humano manifestam-se, pois desde o momento da fecundação são passadas, para o Ser em formação, informações genéticas que constituirão o seu Temperamento; na gestação este Ser sentirá e sofrerá todos os estímulos provenientes das alterações sofridas pela sua Genitora e, gradativamente, ele incorporará e organizará esses estímulos em seu mundo interno, ou seja, formará a sua Personalidade. E, ao longo das etapas de desenvolvimento durante a sua vida, os seus comprometimentos irão determinar a sua forma de agir e reagir perante a vida, o que constituirá o seu Caráter, que nada mais será do que a expressão do seu inconsciente.

    Referências Bibliográficas 

    • Lopes, Antônio . Apostila “ PSIQUIATRIA aplicada à PSICANÁLISE
    • Freud, Sigmund Schlomo . “ Psicologia das Massas e a Análise do Eu ” , 1921.
    • Freud, Sigmund Schlomo . “ Alguns Tipos de Caráter Encontrados no Trabalho Psicanalítico ” . Obras Completas, volume XIV, 1916.
    • Reich, Wilhelm . “ Análise do Caráter ” , 1995.
    • Volpi, José Henrique . “ Particularidades sobre o Temperamento, a Personalidade e o

            Caráter, segundo a Psicologia Corporal ”, 2004.

    • Novais, Germano De. . “ Psicologia, Personalidade e Liderança ” , 1977.  
    • D’Andrea, Flávio Fortes . “ Desenvolvimento  da  Personalidade  :  Enfoque Psicodinâmico ” , 1972.
    • Friedman, Howard S. e Schustack, Míriam, . “ Teorias da Personalidade : da Teoria Clássica à Pesquisa Moderna ” , 2004.

    A  RESISTÊNCIA  À  ANÁLISE  PSICANALÍTICA

    MARCIA  ELIZA  STREB |  PsicAnalista

    Porto Alegre / RS, 08 de Setembro de 2015, XXI. 

    “ Para quem tem a prática da Ética,

    a transparência é uma das maiores virtudes.

    A verdade tem mais valor

    que sair ileso de uma transgressão

    com base em uma mentira.

    A conduta Ética traz mais autoconfiança

    e a transparência melhora a autoestima,

    levando à Alta Performance.”

    (  Içami  Tiba, “ Família de Alta Performance – Conceitos Contemporâneos na Educação ”  )

                                                               A angústia, exteriorizada na forma de Sintoma, é o que leva um Paciente, mesmo sem estar com sintomas de doenças orgânicas, a procurar auxílio e tratamento junto à um Psicanálise, com o primeiro intuito de obter alívio das suas queixas, buscando as razões inconscientes do seu sofrimento.   

    Ele – Paciente -   possui    um    conflito    interior,   cuja    origem ele não sabe qual é; mas ele sabe que este mal estar o torna infeliz.

    De origem grega, a palavra Symptoma, para nós Psicanalistas, significa um fenômeno subjetivo, constituindo a ilustração de um conflito Inconsciente e não uma doença.

    O Inconsciente é estruturado como linguagem e não permite que sua ‘ verdade ’ seja totalmente revelada, mas, através da Terapia Psicanalítica decifrar estas ‘ verdades ’ torna-se possível através da observação de atos falhos, chistes, Sintomas e pela interpretação de sonhos relatados pelo Paciente.

    Recordemos Sigmund Schlomo Freud em suas primeiras experiências de satisfação e essência do desejo :

    “ A pulsão só pode ser expressa sob a forma de uma representação. O processo pulsional em ação, na primeira experiência de satisfação, é da ordem da necessidade e a satisfação virá em decorrência do prazer sentido ao ser reduzida a tensão originária da pulsão.

    Essa experiência de satisfação será gravada como um traço mnésico – representante pulsional para a criança e que será reativada com o ressurgimento do estado de tensão pulsional.

    A partir dessa primeira experiência de satisfação e sua repetição sucessiva, fará a criança utilizar pela vida afora, a evocação daquela imagem mnésica como um modelo que irá orientá-lo na busca de um objeto capaz de proporcionar-lhe uma igual satisfação unido à identificação de uma excitação pulsional .

    Essa imagem não será repetida em sua íntegra, mas mobilizará o sujeito na direção ao objeto.

    O desejo nasce, portanto, da evocação da imagem mnésica de satisfação da pulsão .

    Mas, como tal, em realidade, o desejo não tem objeto pulsional, nem irá se manifestar como uma pura necessidade. ”

    Porém, infelizmente nem sempre aqueles que sofrem com angústia – Sintomas – procuram ajuda e tratamento na Psicanálise.

    Ainda é muito comum e recorrente o preconceito e a desinformação sofre o Tratamento Psicanalítico.

    Sigmund Schlomo Freud ao escrever “ Além do Princípio do Prazer ” em 1920, discorreu sobre as dificuldades do Tratamento Analítico, tecendo o comentário de como as pessoas desfamiliarizadas com o Processo de Análise Psicanalítica sentem medo de despertar dentro delas algum poder diabólico, preferindo desistir de um Tratamento, por medo e preconceito.

    Treze anos mais tarde, na Conferência XXXVI, Sigmund Schlomo Freud recomenda-nos que, antes de aceitar o candidato à Análise Psicanalítica, façamos um ‘ ensaio ’, com duração de algumas semanas ou até meses, com o intuito de avaliarmos a demanda do Paciente.

    Caso detectarmos uma “ Neurose de Caráter ”,  Sigmund Schlomo Freud recomendou-nos dispensarmos o Paciente, uma vez que esta não é passível de ser analisada.

    Ainda nesta mesma época, Sigmund Schlomo Freud declara que determinadas pessoas, ao serem informadas de seu progressono Tratamento Psicanalítico, expressam sinais de descontentamento e agravam ainda mais seus Sintomas, demonstrando um ganho em continuar ‘ doentes ’, ao qual nós Psicanalistas denominamos ‘ Ganho Secundário ’.

    Por sua vez, Otto Fenichel, Discípulo de Sigmund Schlomo Freud, escrevendo a “ Teoria Psicanalítica das Neuroses ” avançou no conteúdo do Caráter e do Estatuto Clínico, apontando as mudanças ocorridas com as neuroses do tempo de Sigmund Schlomo Freud e as “ neuroses modernas ”, onde, nessas últimas, o compromisso subjetivo pode ser de tamanha intensidade que a fronteira entre o Sintoma e a Personalidade podem desaparecer.

    A identificação e a aceitação resignada do Paciente com o seu Sintoma, nem sempre o impulsiona a procurar o Tratamento Psicanalítico.

    Porém, o Paciente que sabe não ter uma doença orgânica, que se desestabilizou com angústias – Sintomas - e sente estes como um ‘ corpo estranho ’ em si, que lhe incomodam a ponto de interferir na rotina diária de sua Vida, este sim buscará alguém – o Psicanalista -  que ele – Paciente -  imagina que terá o ‘ poder ’ de saber a ‘ sua verdade ’.

    Mas, como a Psicanálise é um tratamento diferenciado, onde o ‘ saber ’ é suposto e não uma resposta, na Psicanálise jamais será prometido ao Paciente a cura dos seus Sintomas, mas sim, a Psicanálise promete a conciliação com eles, o que resultará em uma mudança benéfica.

    A angústia, segundo Sigmund Schlomo Freud, sempre será angústia de castração e cabe a Psicanálise colocá-la no lugar que deve estar.

    Referências Bibliográficas 

    • Stumpf, Rita Geovane Rosa . Apostila  “ Fundamentos da Técnica Psicanalítica II
    • Sanhudo, Castilho Silveira  .   Artigos sobre “ Fundamentos da Técnica Psicanalítica II
    • Freud, Sigmund Schlomo . “ Os Caminhos da Formação do Sintoma ” . 1920 . Volume XVI . Editora Imago, 1977.
    • Freud, Sigmund Schlomo . “ Além do Princípio do Prazer ” . 1920 . Volume XVII .

            Editora Imago, 1977.

    • Fenichel, Otto . “ Teoria Psicanalítica das Neuroses ”. Editora Atheneu . 1988.
    • Zimerman, David  .  “ Fundamentos Psicanalíticos : Teoria, Técnica e Clínica ”,

            Artmed . SP . 1999.

    • Quinet, Antônio . “ A Descoberta do Inconsciente – Do Desejo ao Sintoma ” .

            Editora Zahar .  2003.

    • Tiba, Içami . “ Família de Alta Performance – Conceitos Contemporâneos na Educação

            Editora Integrare . 2010.